O papel do designer está um pouco amassado. Como ele estará no futuro?

Caio Calderari
Product Design Lead
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UPX
UPDATE:

A pandemia mudou tudo em 2020.
Por isso este artigo foi revisitado por quem escreveu em entrevista para o UXNOW com apoio da Deeploy.me

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Artigo narrado por quem escreveu!

Quero compartilhar minha visão adquirida ao longo dos últimos anos trabalhando como designer em diferentes cargos e tipos de empresa, uma visão baseada no meu contexto, experiência profissional e de vida. 

Meu objetivo é gerar reflexão e talvez empatia, por ter alguma semelhança com algo que já aconteceu ou acontece na sua carreira profissional atuando como Designer, seja qual for o seu título dentre tantos que existem hoje no mercado. E que essa reflexão te ajude de alguma forma. Vamos lá? 

Qual é o problema? 

Um dos maiores questionamentos que faço hoje como designer (e que talvez você também deveria estar fazendo) é sobre qual é o real problema que devemos resolver. E qual é o seu papel como designer atualmente dentro da sua empresa. 

Parece muito fácil responder estas perguntas em um primeiro momento, mas na maioria das vezes o problema nos dado não é o problema que de fato precisamos resolver. E talvez seu 

papel também não esteja muito claro e por isso você não consegue atuar na camada real do problema. Você já se questionou sobre isso? 

Percebo que na maioria das vezes quando recebemos uma demanda, o problema vem mascarado, empacotado ou até mesmo codificado, sim difícil de entender. Encontrar o real problema por trás da tarefa que nos foi dada, muitas vezes é o primeiro desafio a ser concluído, antes de tentar resolver qualquer coisa com as habilidades práticas que o design nos oferece. 

Infelizmente entendo que isso muitas vezes não é tão simples por uma série de motivos e circunstâncias, principalmente dependendo do seu contexto atual. E isso está relacionado também como o papel que você tem e as expectativas de entrega que são associadas a ele. 

Por diversas vezes, nós designers atuamos apenas nos sintomas de um problema. Ele chega até nós em formato de tarefas e não atuamos de fato na doença causadora dos problemas da empresa, ou nos problemas que realmente estão gerando as demandas que nos foram atribuídas. E como sair dessa se o seu papel está levemente ou muito amassado? 

Onde está o problema? 

Dentro das empresas existe, infelizmente, uma visão distorcida ou até atrasada do que é Design e qual é o papel do designer e a sua função. Existe uma visão muito mais voltada para o design como algo estético, e isso muitas vezes é o que as empresas visualizam e acreditam ser o real trabalho de um designer. Essa visão contribui com uma demanda de mercado onde designers ficam focados apenas em entregas estéticas ou resolvem tarefas pré definidas, sem visão estratégica, e atendem demandas das quais muitas vezes não entendem o cenário completamente. 

No mercado profissionais de design são atraídos a oferecer o que as empresas procuram na prática para que consigam se manter contratados, essa demanda vai se perpetuando ao longo dos anos e nós designers vamos nos adequando para atender as necessidades existente. Por mais que muitas vezes existam indicadores interessantes na mudança das descrições de cargos das vagas atuais, muitas vezes a prática é muito diferente do que foi anunciado. Nos capacitamos e treinamos habilidades para desempenhar um papel mais estratégico, mas mesmo assim o dia a dia não permite sua execução plena. O papel está amassado pela empresa, e muitas vezes o profissional não está ajudando a desamassá-lo. Talvez não porque não queira, mas também por não ser este o seu papel. Seu papel é ser o designer que a empresa acredita ser o designer que ela precisa. E o seu se torna criar um novo papel que lhe permita ser um designer com atuação estratégica. 

Muitas empresas não se dão conta do quanto estão perdendo por não aproveitar o real potencial dos profissionais de design, e principalmente por não entenderem seu real papel. Não percebem o quanto o designer pode ajudar a direcionar tarefas que geram melhores resultados, mas também a cultura e funcionamento da empresa. Você também tem essa percepção? 

Será que a confusão vem do termo: Design? 

As vezes fico pensando sobre a palavra “Design” e como ela pode ser tão genérica e abrangente. Além de ser um termo inglês e causar confusão de tradução, é um verbo e um substantivo ao mesmo tempo. Significa projetar, desenhar, planejar, etc. 

Será que esse sentido abstrato é um reflexo e a causa do que acontece na nossa profissão? O Design pode significar tanta coisa e com uma palavra adicional ele pode ter um sentido completamente diferente. UX Designer, UI Designer, Designer de Produtos, Business Designer, Growth Designer, Service Designer, Branding Designer, Visual Designer, Interaction Designer, Web Designer, etc. 

Será que é isso que causa tanta confusão e por isso ninguém entende o que é design e o profissional é quem acaba pagando o pato? 

Design pode significar tanto o estético, a aparência e o visual de algo. Como aquilo se parece. Como algo funciona (forma e função), mas também pode ser interpretado como o desenho de algo, e entre apenas definir como algo se parece ou desenhar um negócio existe um abismo bem grande e que pode ser interpretado como algo que um designer faz ou pode fazer. Acho que é por isso que existem tantas variações associadas ao “Design” e por isso fica difícil de entender, se nem quem é Designer às vezes não entende, como esperar que os outros entendam? 

Felizmente existem empresas que já estão em outra realidade. E muitas também já começaram a mudar a forma como trabalham, abrindo mais espaço para a atuação de um designer estratégico. Viva a transformação digital. 

De onde vem o problema? 

Antes do UX Design estar em alta o design já enfrentava problemas 

Durante muitos anos designers ocuparam posições com multi funções. Mesmo existindo algumas divisões no design, por diversas vezes vários papéis eram executados pelos menos profissionais. Se você já trabalha na área há alguns anos sabe que desde o passado as divisões não são bem claras e respeitadas, é muito comum já ter atuado na mesma posição fazendo trabalhos diversos sobre o mesmo papel. Lembra que existia o Web Designer, Web Master, Arquiteto de informação, Designer de Interação e mesmo assim esse profissional era o mesmo e se abusar ainda fazia a identidade visual, marca e ainda codificava o site? Isso causa uma distorção na área que acaba consolidando tudo dentro de um mesmo pacote. Não é atoa que existe o tal do Unicórnio. Hoje em dia as funções do designer só tem aumentado e os profissionais ainda continuam acumulando mais funções, tendo o mesmo papel, cada vez mais nebuloso e diverso. Algumas empresas ainda não sabem o papel do designer e não o valorizam devidamente por tudo que fazem. 

Muitas vezes o próprio profissional de design também não sabe seu papel e não sabe se valorizar ou vender suas ideias. Existe uma tendência muito grande do profissional de design generalista, mas isso é bom ou ruim? Existe um problema de entender qual é o seu perfil e qual vaga se encaixa com o que você está buscando. O futuro será cada vez complexo e a profissão do designer ainda tem muito a evoluir e mudar. Como será daqui pra frente? Ser um designer estratégico é o futuro? 

Muitos de nós mesmos (designers) e quem nos vê como designers ainda não tem uma percepção clara do real potencial do designer e no valor que ele pode entregar para a empresa, caso esteja posicionado de forma correta com um papel bem claro. O designer ainda é visto como alguém que entrega apenas o visual e estético, sendo subvalorizado e subutilizado em muitos casos. Quem é o culpado disso? Como mudar isso? 

A característica de resolver problemas é o que traz diferencial para o profissional, porém, para muitos designers ela só aparece após alguns anos de experiência. Somente após bastante estudo e alguns anos rodados é que, na maioria dos casos, o profissional realmente começa a entender o diferencial entre buscar a resolução dos problemas reais e não apenas executar tarefas solicitadas que muitas vezes não entregam valor ou não vão trazer grandes resultados. 

Esse olhar mais crítico acontece devido aos processos de design que estudamos ao longo da carreira. O único detalhe é que esta curva de aprendizado pode demorar alguns anos, pois estamos muitas vezes focados apenas em aprender o lado estético e ferramental do design. E isso com certeza vem de um histórico que temos, vindo do passado, tanto da ótica do profissional como da ótica empresarial. 

O design puramente visual continuará sendo importante, mas o futuro propõe novos desafios e tecnologias. 

O domínio do lado estético e visual é sem dúvida importante, é a base do design sendo concretizado. Mas para conseguir trazer um impacto maior, precisamos atuar em camadas mais estratégicas do negócio e isso requer outras habilidades que vão além desta parte 

visual. O futuro já está aqui e nos indicando uma série de mudanças que virão com grandes desafios. Realidade aumentada, interação por voz, chatbots, produtos como serviço e plataforma, carros automatizados, celulares com duas telas e por aí vai. 

Talvez seja pelo lado estético e visual que você decidiu se tornar um designer, eu também comecei me interessando por este aspecto, mas estas habilidades e o seu estudo, infelizmente, não trazem evolução de conhecimentos na resolução de problemas de forma estratégica. Não há nada de errado em estar focado nesta parte, o grande problema é estar focado em todas as camadas do design ao mesmo tempo e muitas vezes sendo o único responsável por tudo isso, ter visão holística é interessante mas humanamente falando é muito difícil dominar todas as áreas. Atuar em um papel onde a empresa não enxerga todas as variáveis em que um designer pode e às vezes deve atuar pode ser um agravante ainda maior, deixando esse profissional altamente sobrecarregado e limitado na entrega de resultados estratégicos. 

Se o seu papel está amassado, é hora de começar um novo. 

Antes das habilidades técnicas e práticas necessárias para ser um designer você precisa entender e saber como decifrar as demandas e encontrar problemas reais e que trazem resultados para a empresa, ao mesmo tempo em que consegue mostrar qual pode ser o seu novo papel. Se após encontrar estes problemas você ainda quer ser responsável por concretizá-las, tudo bem, mas tenha isso claro em sua mente e em seu papel e sabia que seu tempo também precisa ser dividido para estas etapas, consequentemente seus prazos e suas entregas. Você muitas vezes não deve e não precisa fazer isso sozinho, não se cobre tanto. Que tal montar um time multidisciplinar com papéis bem definidos para ajudar a concretizar estratégias em resultados reais? 

Inclusive falando de futuro, há uma forte tendência que a atuação de design puramente estético seja resolvida de forma automatizada, se não por completo, mas em grande porcentagem, e esta demanda poderá ser muito reduzida. Se você é um designer antenado já tem visto por aí várias iniciativas de geração automática de design em vários sentidos e formatos. Seja para uma parte mais voltada criação de wireframes, UI Design, design systems e também para banners, identidade visual, logotipos, escalas de fontes, e etc. Isso tudo é muito interessante e apesar de trazer, a princípio, uma percepção negativa por parte dos designers, pois induz ao medo de que isso poderá tomar nosso trabalho, por outro lado abre a possibilidade de ter mais tempo para focar em problemas estratégicos, que podem trazer mais valor tanto para a empresa como para os próprios profissionais, posicionados em cargos mais estratégicos dentro das empresas em que atuam. Como isso ainda leva tempo, vale aqui a percepção para aqueles que já visualizam nessa mudança uma forma de se preparar para estar bem posicionado no futuro e começar agora mesmo a atuar de forma mais estratégica, buscando habilidades que vão proporcionar estar preparado quando o futuro chegar, e diria que ele não demora muito. O seu papel pode mudar mas você também tem que estar pronto para preenchê-lo. Já ouviu dizer que as oportunidades aparecem quando você está no lugar certo, na hora certa e preparado para abraçá-la? É hora de começar a desenhar o seu novo papel. 

Consequências do problema. 

A evolução do designer e suas consequências em um contexto despreparado. Quando adquirimos uma visão mais crítica e questionadora, aprendemos processos e tendemos a evitar certos tipos de atitudes imediatistas de resolução de problemas, tendemos a questionar os problemas a fim de encontrar a sua causa raiz (root cause) antes de começar a atuar de fato em uma solução. 

Esta forma de trabalho em um designer pode gerar muito benefício a empresa, mas ao mesmo tempo também pode gerar um pouco de frustração. Primeiro por saber que muitas vezes estamos atuando na camada errada do problema e que nossos resultados serão limitados a esta demanda que está empacotada e mascarando o problema real que deve ser resolvido. 

É aquele velho dilema, uma vez que você sabe uma coisa, não tem como voltar atrás. A chamada "maldição" do conhecimento. 

A frustração acontece quando não temos condições ou permissão para realizar o processo de decupagem do problema antes de realizar entregas práticas, acabamos atropelando o processo ou modo de trabalhar para fazer entregas mais rápidas. No fundo sabemos que vamos nos empenhar, mas já nos sentimos mal por saber que estamos atropelando algo que acreditamos e que poderia trazer muito mais valor se fosse feito da forma correta, respeitando as etapas e processo de descoberta. Isso vai variar muito conforme o nível de maturidade da cultura de design dentro da sua empresa, mas quanto mais baixo ele for, pior o cenário para um designer que já desenvolveu sua visão para valores estratégicos. 

Devido a pressão do lado corporativo e negócios, muitas vezes temos que "engolir" tudo que aprendemos e entregar algo que sabemos que não vai resolver o problema real, ou muitas vezes não conseguimos nem chegar no problema real. Essa relação de cultura e papel é o que gera um grande conflito. 

Muitas empresas não estão preparadas para que o designer tenha o tempo ou abertura necessários para chegar ao centro das questões. Para chegar na causa raiz do problema. Elas também não entendem quais papéis um designer pode ter. Os processos não estão bem definidos e a forma que a empresa opera não é compatível com a organização necessária para abraçar as entregas e processos de design. Existe uma pressão interna e externa muito evidente, temos uma demanda e precisamos gerar entregas e resultados. Seremos cobrados por isso. E mesmo tentando conversar e convencer nossos pares ou pessoas em posições mais altas na hierarquias da empresa para mudar este cenário, precisamos continuar seguir o jogo, fazendo entregas que não acreditamos. Com certeza também temos medo de perder nossa posição por estar constantemente lutando para mudar a cultura e visão da empresa sobre o design. Será que temos que ser mais insistentes ainda e não ter medo de dar errado? 

Questionar uma demanda não é nada fácil, quanto mais demonstrar que você está indo para a direção oposta do que lhe foi solicitado, mas acredite, muitas vezes o seu papel como designer será esse, não executar exatamente o que foi solicitado e ir buscar o centro do problema. Você já se sentiu pressionado por não conseguir ter espaço para buscar um caminho diferente do esperado? 

Ao longo do tempo essa frustração coloca em check nossas habilidades e vai minando nossa relação com o trabalho. É algo que prejudica tanto ao profissional quanto a empresa, que poderia estar desfrutando de entregas muito mais assertivas e de valor, deixando o profissional consequentemente muito mais engajado e realizado. Já ouviu falar do termo ganha ganha? Precisamos mostrar nosso valor e mudar nosso papel e a visão dele. 

Isso só acontece com designers? 

Estou falando aqui especificamente sobre designers, mas percebo que não são apenas designers que sofrem deste padrão, esse comportamento pode estar impactando todas as áreas da empresa, e quando uma empresa inteira está resolvendo apenas sintomas de um problema e não sua causa, isso se torna potencialmente prejudicial e tem um impacto negativo muito poderoso ao longo do tempo. Os esforços realizados para executar tarefas que não resolvem o problema real da empresa se tornam repetitivos ou não trazem resultado algum e pior, em alguns casos não são medidos também. A sensação de não trazer resultados é com certeza muito desestimulante e é perceptível que esse fator pode contribuir com prejuízos para e empresa no longo prazo e também aumento de turnover. 

Um exemplo ilustrativo de como uma tarefa simples pode ser resolvida de várias formas. Imagine que a empresa quisesse se livrar do gramado no quintal e solicitasse a todos que 

apenas utilizassem um cortador de gramas manual, essa seria a sua demanda inquestionável. Todos os dias os encarregados de realizar esta tarefa o fazem, sem pensar se isso pode de fato ser a melhor solução. É claro que isso até teria um resultado imediato, mas de tempos em tempos seria necessário fazer todo o procedimento outra vez. Em algum momento, alguém parou para perguntar. Qual é o real objetivo da empresa e qual é o real problema por trás disso? Se o objetivo é se livrar da grama por completo, cortá-la regularmente talvez não seria a melhor escolha. Em vez de delegar uma tarefa pronta, porque não deixar o designer fazer seu papel de entendimento e trazer uma solução que entregue mais resultado? Certamente um designer teria a postura questionadora antes de realizar a tarefa. E isso é um diferencial importante. Que tal se nós designers também ajudarmos outras áreas da empresa a terem uma visão mais parecida com a nossa? Ensinando a visão de resolução de problemas, uma postura mais questionadora e investigativa para buscar a causa raiz dos problemas e com isso conseguir melhores resultados e uma atuação mais estratégica, em vez de ficar somente atacando demandas prontas e muitas vezes mal definidas, que podem não gerar resultados ou gerar resultados pequenos. Isso pode ser parte do nosso novo papel. 

Qual a diferença do designer? 

Designers tem um diferencial importante, sua forma de pensar, criar e resolver problemas. Nosso trabalho é de fato resolver problemas através do design. Utilizando as técnicas, ferramentas e processos. Isso é o que traz esse diferencial no olhar para buscar a resolução dos problemas em sua essência, essa atitude está enraizada na nossa profissão (ou pelo menos deveria) e essa característica é o que pode trazer muito valor para 

negócios. Felizes são as empresas que já enxergaram isso e estão conseguir chegar na frente justamente porque tem ótimas equipes de designers e principalmente entendem seu papel, dando autonomia para que eles mesmos entendam mais sobre os problemas e tragam soluções que realmente tem potencial para solucioná-lo. Se não soluciona-lo pelo menos tentar diminuir hipóteses através de testes e experimentos que rodam em ciclos de interação e aprendizado contínuo. 

Como projetar o papel do designer do futuro? 

Um grande desafio é conseguir primeiro aprender e desenvolver este lado crítico, investigativo e questionador e processos de design que facilitam a resolução de problemas no dia a dia. Em segundo, conseguir aplicar tudo isso no seu local de trabalho pouco a pouco. Se você está buscando modificar o seu contexto atual saiba que isso vai levar um bom tempo e muito esforço, muito porque não depende apenas do designer ter capacidade e percepção de mudar sua forma de pensar e trabalhar. Você vai precisar estar preparado ao mesmo tempo que, de pouco em pouco, consegue mudar o ambiente que gera demandas fechadas. Depois disso começar a ter capacidade de atuar com liberdade para trazer soluções eficientes e focadas em problemas reais. Você vai ter que aos poucos alterar a forma como a empresa funciona. Deixar com que a busca pela solução ideal aconteça e que as demandas sejam menos específicas e mais abrangentes de forma a trazer um problema mais claro e objetivos bem definidos para poder realizar as etapas do design. Escrever é bem fácil, mas na prática é outra coisa. 

Se o papel do designer é resolver problemas e a forma como a empresa opera com design é o problema. Então o problema que o designer vai acabar tendo que resolver é a própria empresa. Ou melhor, sua cultura e maturidade sobre o design. Entendeu o tamanho da responsabilidade? 

O grande dilema é que o designer contratado por esta empresa muitas vezes não se dá conta disso e a empresa também não o contratou com essa finalidade. Se você estiver em um cenário parecido, vai chegar a uma conclusão parecida com o tempo. 

Só depois de conseguir como designer resolver esse problema raiz é que você vai ter autonomia para conseguir resolver outros problemas, que vão fazer de fato a empresa crescer. E não só crescer, mas trabalhar com uma área de design de verdade, com mais profissionais de design, preparados para gerar impacto e valor para a empresa e principalmente para os seus clientes, resolvendo problemas reais focando em pessoas reais e trazendo soluções que realmente geram valor para elas. 

Não se iluda, você não vai conseguir fazer isso sozinho. Junte-se a outras pessoas na sua área e na sua empresa. Você como designer tem esse diferencial que comentei, lembra? Que tal ensinar outras pessoas na sua empresa a terem a mesma visão que você já desenvolveu? Afinal, só resolver os problemas da área de design não é a ideia. Imagina se todas as pessoas tiverem um senso crítico de buscarem a solução para problemas reais em vez de focar em demandas e tarefas prontas que talvez não façam tanto sentido e não entregam tanto valor. Você pode ter até a responsabilidade de ter que mudar a estrutura 

operacional do seu time e de áreas da sua empresa. Monte seu time multidisciplinar dentro da sua empresa com pessoas de todas as áreas! Você como designer deve ajudar a libertar o designer que existe dentro de todos na empresa. Não se limite a ter apenas uma equipe de designer se você pode ter uma empresa inteira com pessoas focadas em resolver problemas e trazer valor para o negócio. 

Se evoluir e mudar a si mesmo como designer já é complexo e leva tempo, imagina fazer o mesmo com seu ambiente de trabalho e mudar sua área de design e como a empresa funciona. É um trabalho e tanto. E muitas vezes não tão valorizado tanto em termos financeiros como de credibilidade. Não desista, você terá muito a ganhar mudando seu papel. Se a essência é resolver problemas, esse é o maior que você pode encontrar e se estiver disposto, encare este desafio, ou então busque outro que se interesse em resolver, tenho certeza que existem muitos outros por aí. 

Quero te convidar para uma reflexão. Pare alguns segundos e responda algumas questões: 

Qual é o real papel de um designer hoje? 

Qual será o papel de um designer no futuro? 

A resposta para estas questões é sempre a mesma ou pode mudar de acordo com algumas definições de contexto? 

Agora pensando em seu contexto atual: 

O seu papel como designer está claro? 

A sua empresa sabe o que esperar de um designer? 

Você sabe o que esperar de si mesmo como designer? 

Você sabe para onde a sua empresa está indo? 

Você sabe para onde você está indo? 

Você aceita esse desafio? 

Como você quer mudar o papel amassado do designer e começar a criar o um novo designer do futuro, hoje? 

Comece já, e quando menos perceber, estará sendo o profissional do futuro, no futuro. 

Boa sorte nessa jornada. 

A jornada do seu usuário mais importante. Você mesmo. 

Um abraço, querido amigo Designer.

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vitor@pulegada.com.br
Caio Calderari
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Designer desde 2005, Organizador do Meetup Design Campinas e Criador de Conteúdos sobre Design no canal U&I Design no Youtube e Redes Sociais.

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