Indo além das boas práticas de User Experience Design

Rafael Miashiro
UX Lead
,
Visa
UPDATE:

A pandemia mudou tudo em 2020.
Por isso este artigo foi revisitado por quem escreveu em entrevista para o UXNOW com apoio da Deeploy.me

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Com a crescente importância no mercado do profissional de User Experience Design (UX), esse artigo é um convite para pensar de forma análoga, uma reflexão de boas práticas de user experience no seu contexto profissional, que tange comportamento e atitude, ou seja, as Heurísticas de Nielsen versus as Heurísticas do Miashiro (carinhosamente denominadas: Mia-risticas).

Para mim, boas práticas de User Experience Design é sinônimo de utilizar as 10 Heurísticas de Nielsen. Ela são o ponta pé inicial que me ajuda a conceber e melhorar uma interface, obviamente em casos mais complexos, ela por si não consegue entregar um nível elevado no viés de design de interação, sendo necessário combinar outras metodologias, mas, mesmo assim, aplicando as heurísticas é possível criar um portfolio bem competitivo e angariar evolução na carreira de qualquer designer, principalmente para quem não tem experiência e quer entrar nessa área.

Porém a entrega das boas práticas de UX por si só, não garante o sucesso do seu projeto e da sua carreira: É preciso ir além dessa “Receita de bolo”.

Imagine que daqui alguns anos exista um software que tenha inteligência de entregar e mapear as 10 heurísticas de Nielsen e sugerir melhorias de interface em um piscar de olhos? Mas isso pode ser uma pergunta para outro artigo.

A seguir, o comparativo entre Heurística de Nielsen versus Mia-ristica:

1. Visibilidade de qual estado estamos no sistema

Essa heurística relata a importância do sistema manter os usuários informados sobre o que está acontecendo, por meio de feedback apropriado dentro de um prazo razoável. Por exemplo: ao clicar no botão e ele muda de cor, ou até mesmo quando o ícone do wifi de internet está ativo ou não.

Versus

1.1 Visibilidade do meu papel dentro do departamento/empresa

Se eu escolher aleatoriamente alguém da sua empresa de uma área diferente e perguntar qual o seu papel, ela conseguirá responder?

Essa heurística busca reforçar a comunicação aberta e contínua frente aos pares diretos e indiretos. Ela parece simples, porém acaba sendo bem complexa na prática, principalmente quando o seu foco está no curto prazo (que a realidade da maioria das empresas) em que se espera resultado e entrega.

A comunicação é fundamental em todo tipo de relação pois ela gera confiança.

"O que eu tenho feito para incentivar a comunicação aberta e contínua dentro do meu time/empresa?"

2. Correspondência entre o sistema e o mundo real

O sistema deve falar o idioma do usuário, com palavras, frases e conceitos familiares ao usuário, em vez de termos orientados ao sistema. De acordo com Nielsen é preciso seguir as convenções do mundo real, fazendo as informações aparecerem em uma ordem natural e lógica.

Utiliza-se o skeomorfismo, que é o uso de elementos reais para o mundo digital, por exemplo, uso do ícone de uma lixeira para jogar o arquivo no lixo.

Versus

2.1 Uso adequado do "Designês" para clientes e outras pessoas

A forma que se conversa com um colega designer é diferente para profissionais com "backgrounds" diferentes. Uso de termos técnicos pode não ser compreendido.

Uma parte educacional precisa ser introduzida dentro da sua empresa, em forma de workshop, palestra e treinamento, para gerar engajamento e entendimento mais eficiente e eficaz no processo.

"Eu realmente adequo meu vocabulário de acordo com o público? Por que pessoas da minha família não entendem o que eu faço?"

3. Liberdade de controle fácil para o usuário

Os usuários geralmente escolhem as funções do sistema por engano e precisam de uma “saída de emergência” claramente marcada para deixar o estado indesejado sem ter que passar por um diálogo prolongado. Um exemplo é o botão de voltar no browser do desktop.

Versus

3.1 As pessoas tem liberdade de acesso até você?

As pessoas podem até te procurar criando uma expectativa errada do seu papel como designer, por exemplo: "Me faz uma apresentação bonita no power point?". Porém, como eu consigo plantar uma semente para que dê fruto no futuro?

"As pessoas costumam vir até mim? Por que sim/não? Será que eu dou pouca abertura ou grande abertura?"

4. Consistência e Padronização

Os usuários não devem se perguntar se palavras, situações ou ações diferentes significam a mesma coisa.

Um bom exemplo é o Material Design do Google, ou até mesmo os diferentes produtos Google que possuem a mesma consistência e padronização: Gmail, GoogleDrive e GoogleMaps.

Versus

4.1 Consistência no meu discurso como Designer

Num mundo em transformação, cada vez mais, existe uma mistura entre profissional e pessoal. Atualmente a linha é muito tênue do meu papel fora e dentro da empresa.

"O meu discurso no palco é realmente o que eu aplico? É uma realidade no dia-a-dia?"
"Estou realmente defendendo essa causa ou apenas utilizo como auto-promoção?"

5. Prevenção de erros

Os usuários costumam se distrair da tarefa em questão, portanto, evite erros inconscientes oferecendo sugestões, utilizando restrições e sendo flexível. Exemplo: mesmo quando você digita uma palavra errada na busca do Google, o sistema sugere a palavra correta.

Versus

5.1 Compartilhar seus erros

Compartilhar seus erros durante sua trajetória com o time e empresa, bem como, exemplos que possam diminuir as chances de falhas é uma boa estratégia para não cometer os mesmos erros.

"Tenho compartilhado e argumentado usando experiências de projetos/produtos passados com dados e fatos?"
"Tenho contribuído para disseminar o conhecimento interno?"

6. Reconhecimento em vez de memorização

Essa heurística trata-se de minimizar a carga de memória do usuário, tornando objetos, ações e opções visíveis. O usuário não deve ter que lembrar informações de uma parte do diálogo para outra. As instruções de uso do sistema devem ser visíveis ou facilmente recuperáveis sempre que apropriado.

Versus

6.1 Traga exemplos fáceis de serem memorizados

Já parou para pensar que quando você traz uma analogia ou comparação do dia-a-dia da pessoa, fica muito mais fácil de entender? Por exemplo, ao analisar um website para um Diretor de Produto, eu comentei a seguinte a frase de Martin Le Blanc: "A interface do usuário é como uma piada, se você precisa explicar, então, ela não é tão boa."

“Eu tenho exercitado analogia para explicar o meu trabalho?"

7. Flexibilidade e eficiência de uso

Essa heurística relata da importância que a interface seja útil tanto para usuários leigos como para experientes, “Ctrl+C e Ctrl+V” são exemplos de atalhos que permitem ao usuário mais experiente realizar tarefas mais rapidamente.

Versus

7.1 Conversar com usuários extremos

Ao realizar pesquisa em campo, a estratégia de conversar com usuários extremos tem trazido resultados bem interessantes, principalmente focados nas necessidades desses públicos. Por exemplo: Usuário que concentra seus gastos no cartão crédito versus o que utiliza apenas dinheiro tem a mesma necessidade de controlar melhorar suas finanças no final do dia.

“Como eu tenho trabalhado para ganhar repertório e bagagem com usuários extremos?"

8. Estética e design minimalista

Os diálogos não devem conter informações irrelevantes ou raramente necessárias. Cada unidade extra de informação em um diálogo concorre com as unidades relevantes de informação e diminui sua visibilidade relativa.

Versus

8.1 Sou conciso e objetivo no meu discurso

O que venho percebendo durante reuniões internas e com clientes é que muitas pessoas em geral são prolixas, com discurso longo e demorado, contribuindo com a dispersão e conversas improdutivas.

“Consigo exercitar meu storytelling de maneira engajadora? Tenho contribuído para que as reuniões sejam mais eficientes e eficazes?”

9. Ajude os usuários a reconhecerem, diagnosticarem e recuperarem-se de erros

As mensagens de erro devem ser expressas em linguagem simples, indicar com precisão o problema e sugerir construtivamente uma solução.

Versus

9.1 Peça feedbacks construtivos

Feedbacks é um dos temas mais citados em qualquer meio corporativo e empresarial. Pessoalmente, principalmente na minha recente jornada como professor, o que mais me faz evoluir são os feedbacks dos alunos para eu melhorar minha aulas.

“Estou escutando ativamente os feedbacks solicitados? Quais ações irei tomar?"

10. Ajuda e documentação

Mesmo que seja melhor se o sistema puder ser usado sem documentação, pode ser necessário fornecer ajuda e documentação. Qualquer informação desse tipo deve ser fácil de pesquisar, focada na tarefa do usuário, listar etapas concretas a serem executadas e não ser muito grande.

Versus

10.1 Ajuda para pessoas fora da empresa

Esteja disponível para compartilhar conhecimento e informação que esteja ao seu alcance para pessoas fora da empresa (quando o tema é possível de ser compartilhado)

“Tenho ajudado pessoas desconhecidas no que tange disciplinas que conheço?”

Conclusão

As Mia-risticas pode ser uma boa reflexão para direcionar sua carreira, principalmente em um contexto que ter uma excelente entrega e um talento inquestionável não são suficiente no complexo mundo da relação interpessoal.

Se você já aplicou/ou tem aplicado uma das Mia-risticas, seria um privilégio ler ou ouvir a respeito.

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Rafael Miashiro
UX Lead
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Rafael Miashiro é Designer formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e especialista em Experiência do Usuário pela Universidade Positivo. Como Designer na VISA, atua com uma equipe multidisciplinar na concepção e projeto de produtos desde o estágio inicial de pesquisa e ideação através do processo de design com foco em inovação.

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